Brand Lucidity))
Honestly, capitalizing on a
brief moment of lucidity brand, admit it: we’re all fucked up. If not due to illness, old age, STDs, loneliness or madness, die, right, okay. Already practically we accept the fact, despite the science and all its paraphernalia. But we have our descendants, that we bet all the chips, and we believe, with all my strength, that every brat who we play in the square is the seed of tomorrow. We invested millions in it, always betting high in the future. Future. Something totally uncertain and out of control. Must be why most do not stop to think. And as you say that maxim, the voice of the people is the voice of God. Finally, common sense, as esculachado by Philosophy, begins to really make any sense.
We in the offspring, our last hope. So, we begin to discover that it’s not just us who die. The sun, see, the Astro King, also dies. Before, of course, it dilates and will end with the last drop of water from our Ocean. Yes, it will take millions of years, and maybe if we’re lucky, we have not finished with the planet before. Or, hopefully, no meteor is on a collision course with Earth. Until then, we imagine a planet like the Jetsons, with floating cities, flying cars and armchairs with 1001 uses. Obviously, scientists, those damn, have already discovered another planet habitable for our species. Then you just go carrying the chosen (apocalyptic that, right?) And the rest, well, the rest is rest.
But as everything has an end, the poor people will not have peace and like Sisyphus, will look for habitable planets ad aeternum. Until one day, there vigesilhões years finally will turn again just cosmic dust, waiting for a fabulous Big Bang.))
Bvlgari, Danielle
Chapeuzinho Amarelo
Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo.
Tinha medo de tudo,
aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa,não aparecia.
Não subia escada
nem descia.
Não estava resfriada
mas tossia.
Ouvia conto de fada
e estremecia.
Não brincava mais de nada,
nem de amarelinha.
Tinha medo de trovão.
Minhoca pra ela,era cobra.
E nunca tomava sol
porque tinha medo da sombra.
Não ia pra fora pra não se sujar.
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho pra não descolar.
Não falava nada pra não engasgar.
Não ficava em pé com medo de cair.
Então vivia parada,
deitada,mas sem dormir,
com medo de pesadelo.
Era a Chapeuzinho Amarelo.
E de todos os medos que tinha
o medo mais que medonho
era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia…’
Chapeuzinho Amarelo - Chico Buarque.))
O amor, entre nós, é uma súplica apaixonadamente triste. E não há nada que
exprima tão bem esse carácter de prece do que a tautologia, a repetição necessária do
apelo para alcançar um dom, que não chega jamais. Por isso o nosso lirismo é por vezes
um documentário precioso de poesia pura: todo se exala num suspiro, numa queixa,
numa efusão exclamativa. E uma voz que vem dos longes da alma. A emoção
não se pulveriza em cintilações de forma artística; sempre uno, o turbilhão emocional
permanece até ao fim substancialmente o mesmo, com uma ou outra modificação
levíssima de forma. Isto dá à cantiga d’amor um cunho de obsessão, de monotonia
pungente, que resultaria fastidiosa se fosse desenrolada em mais de três ou quatro
estrofes. Talvez por isso mesmo os trovadores limitassem a este número a repartição
estrófica das cantigas.
Para exprimir esta devoradora
AMOR CONTRÁRIO
QUE O SOL BRILHAR A NOTE FRIA
E A LUA ILUMINAR O DIA QUENTE
QUE DA MORTE NASCER A VIDA ETERNA
E A VIDA DER VIDA À MÃE DA MORTE
QUE O AMOR EVITAR A GUERRA
E DA PAZ NASCER O FILHO DO ÓDIO
QUE O VELHO FOR MAIS NOVO QUE O FILHO
E O FILHO FOR O PAI MAIS NOVO DO VELHO
QUE O APRENDIZ SONHAR A QUEDA
E O MESTRE APRENDER NO TOMBO A CACHOEIRA
NAQUELE DIA
QUE O PROFANO BATIZAR O SAGRADO
E O CÉU ABENÇOAR O INFERNO
QUE O PRAZER SE CALAR NA DOR
E O QUE O FOGO ACENDER A ÁGUA
QUE O LONGE FOR O MAIS PERTO DOS PONTOS
E A RETA A MAIS TORTA DOS TONTOS
QUE O INÍCIO FOR O MAIS PERTO DO FIM
E O FIM O MAIS SIM DO NÃO
QUE O CEGO TIVER A MAIS PERFEITA VISÃO
E O OLHO FURADO FOR O CORAÇÃO DA MENTE
TALVEZ EU TROQUE TUDO:
OS PÉS PELAS MÃOS
AS DORES POR AMORES
O HOJE PELO AMANHÃ
O AMANHÃ POR OUTRO DIA
E POR OUTRAS MANHÃS.
TROCO TUDO POR VOCÊ
AÍ, VOU AMAR VOCÊ
AMAR O AMOR CONTRÁRIO
AMAR COMO AMAM OS LOUCOS. ))
Bvlgari, Danielle
Minimum Droplet
The gods always encourage those who try .
To attempt. Even without experience , even without certainty.
The gods despise those who do not try .
The survivor know that there are still worse than what might be happening to her right now .
This is the posture of the Celts and the Vikings .))
No alheamento da obscura forma humana, De que, pensando, me desencarcero, Foi que eu, num grito de emoção, sincero, Encontrei, afinal, o Meu Nirvana! Nessa manumissão schopenhaueriana, Onde a vida do humano aspecto fero Se desarraiga, eu, feito força, impero Na imanência da Ideia Soberana! Destruída a sensação que oriunda fora Do tacto – ínfima antena aferidora Destas tegumentárias mãos plebeias - Gozo o prazer, que os anos não carcomem, De haver trocado a minha forma de homem Pela imortalidade das Ideias.))
No alheamento da obscura forma humana, De que, pensando, me desencarcero, Foi que eu, num grito de emoção, sincero, Encontrei, afinal, o Meu Nirvana! Nessa manumissão schopenhaueriana, Onde a vida do humano aspecto fero Se desarraiga, eu, feito força, impero Na imanência da Ideia Soberana! Destruída a sensação que oriunda fora Do tacto – ínfima antena aferidora Destas tegumentárias mãos plebeias - Gozo o prazer, que os anos não carcomem, De haver trocado a minha forma de homem Pela imortalidade das Ideias.))
… amor, se eu cheiro seu cu, mesmo num dia em que fez 37 graus Celsius e vc ficou sentado suado por horas, eu, no mínimo, amo vc loucamente… é que cada um tem seu jeito de mostrar que ama, uai.
(texto lindo e desenho mais lindo ainda by eu mesma.)
Mais Álvaro de Campos – Ai, Margarida, …
00Nesta brincadeira sobre a leviandade e o amor, o diálogo entre o casal revela o contraste frequente entre homem e mulher, na oposição entre a fantasia masculina e o pragmatismo feminino.
A forma poética, prenhe de trivialidades, forçou o autor a declarar no final da conversa/poema tratar-se do resultado de uma bebedeira.
Ai, Margarida,
Se eu te désse a minha vida,
Que farias tu com ella?
– Tirava os brincos do prego,
casava c’um homem cego
E ia morar para a Estrella.
Mas, Margarida,
Se eu te désse a minha vida,
Que diria tua mãe?
– (Ella conhece-me a fundo.)
Que ha muito parvo no mundo,
E que eras parvo tambem.
E, Margarida,
Se eu te désse a minha vida
No sentido de morrer?
– Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.
Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fôsse senão poesia?
– Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem effeito.
Nesta casa não se fia.
Comunicado pelo Engenheiro Naval
Sr. Alvaro de Campos em estado
de inconsciencia
alcoolica.))
H.
“Without the skin here,
beneath the storm,
under these tears now,
the walls came down.
As the snake is drowned
and as I look in his eyes,
my fear begins to fade
recalling all of the times;
I could have cried then.
I should have cried then.
And as the walls come down
and as I look in your eyes
my fear begins to fade
recalling all of the times;
I have died,
and will die.
It’s all right.”
–